Por que bocejamos? E por que o bocejo é contagioso

Você provavelmente vai bocejar enquanto lê este texto. Não é tédio: só de ler ou pensar em bocejos, muita gente boceja. É um dos comportamentos mais comuns e, ao mesmo tempo, mais misteriosos do corpo humano. Afinal, para que serve um bocejo?

O mito do oxigênio

A explicação mais popular é que bocejamos quando falta oxigênio ou sobra gás carbônico no sangue. Parece lógico: o bocejo é uma inspiração profunda, então deve servir para “renovar o ar”.

Só que essa ideia já foi testada, e não passou. Em 1987, o psicólogo Robert Provine, da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, colocou estudantes para respirar, durante 30 minutos, misturas de ar diferentes: oxigênio puro, ar com mais gás carbônico e ar normal. As misturas fizeram os voluntários respirar mais rápido, mas não mudaram nem a quantidade nem a duração dos bocejos.

Conclusão: bocejar e respirar são controlados por mecanismos diferentes. O bocejo não é uma “respiração de emergência”.

A hipótese mais forte: esfriar o cérebro

Desde os anos 2000, o pesquisador norte-americano Andrew Gallup e colegas defendem outra explicação: o bocejo funciona como um sistema de resfriamento do cérebro.

A ideia é que, ao abrir muito a boca e esticar a mandíbula, aumenta o fluxo de sangue na cabeça. Ao mesmo tempo, a inspiração profunda traz ar mais fresco, que troca calor com o sangue que vai para o cérebro. O cérebro, como um computador, funciona melhor quando não está superaquecido.

Vários experimentos apoiam essa hipótese:

  • Em um estudo de 2007, voluntários assistiram a vídeos de pessoas bocejando. Quem segurava uma compressa fria na testa bocejou bem menos do que quem segurava uma compressa morna ou em temperatura ambiente. E quem foi orientado a respirar só pelo nariz, outro jeito de resfriar o cérebro, não bocejou.
  • Observando pedestres no Arizona, nos EUA, a equipe de Gallup viu que as pessoas bocejavam mais no inverno do que no verão, quando o ar lá fora fica perto da temperatura do corpo e não ajuda a resfriar nada.
  • Em Viena, na Áustria, a mesma comparação mostrou que o bocejo contagioso também cai no frio intenso. Os pesquisadores falam numa espécie de “janela térmica”: bocejamos mais com o ar por volta de 20 °C, e menos quando está muito quente ou muito frio.

A hipótese do resfriamento ainda não é consenso, mas é a que tem mais experimentos a favor hoje.

Por que o bocejo é contagioso?

Ver alguém bocejar, ouvir um bocejo, ler sobre bocejos ou até pensar neles pode disparar o reflexo. Estudos indicam que entre 45% e 60% das pessoas “pegam” bocejos quando veem alguém bocejando.

Ninguém sabe ao certo o motivo, mas há algumas ideias:

  • Sincronizar o grupo. Provine sugeriu que o bocejo marca mudanças de estado, como de acordado para sonolento ou de relaxado para alerta. Um bocejo que se espalha ajudaria um grupo a entrar no mesmo ritmo.
  • Manter todos alertas. Se o bocejo resfria o cérebro e deixa a mente mais desperta, espalhá-lo poderia aumentar a atenção de todo o grupo diante de perigos.
  • Empatia. Algumas pesquisas sugerem que pessoas mais empáticas pegam bocejos com mais facilidade, e que bocejos de amigos e parentes contagiam mais do que os de estranhos. Essa ligação ainda é debatida.

Um detalhe curioso dos experimentos de Provine: mostrar apenas uma boca aberta não costuma funcionar. Já ver os olhos e o resto do rosto de quem boceja, mesmo com a boca coberta, dispara o bocejo.

Até o seu cachorro pega bocejo

O bocejo contagioso não é só coisa de humanos. Chimpanzés pegam bocejos uns dos outros. E, em 2008, pesquisadores da Universidade de Londres mostraram que cães pegam bocejos de pessoas.

No estudo, um pesquisador desconhecido bocejava na frente de 29 cães. 21 deles bocejaram em resposta. Quando o pesquisador só abria e fechava a boca, sem bocejar de verdade, nenhum cão bocejou. A taxa de contágio, de 72%, foi até maior do que a registrada entre humanos.

Bocejamos antes mesmo de nascer

Bocejar é um comportamento muito antigo. Segundo Provine, os bebês já bocejam dentro do útero, por volta de 11 semanas depois da concepção. E ele também chamou atenção para um fato curioso: atletas antes de uma competição, músicos antes de um concerto e estudantes antes de uma prova bocejam muito, mesmo sem sono nenhum.

Resumindo

  • Bocejar não serve para aumentar o oxigênio: experimentos derrubaram essa ideia nos anos 1980.
  • A hipótese mais aceita hoje é que o bocejo ajuda a resfriar o cérebro.
  • O bocejo é contagioso para cerca de metade das pessoas, e o motivo ainda é debatido.
  • Cães também pegam bocejos de humanos.

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Fontes

Escrito por Redação Mundo Curiozum

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