Por que vemos sempre o mesmo lado da Lua?

Olhe para a Lua cheia hoje, daqui a um mês ou daqui a dez anos: você vai ver sempre as mesmas manchas, o mesmo “rosto”. Muita gente conclui que a Lua não gira. Mas ela gira, e é justamente o jeito como gira que esconde o outro lado.

A Lua gira, mas no ritmo certo

A Lua leva cerca de 27,3 dias para dar uma volta completa em torno de si mesma. E leva praticamente o mesmo tempo para dar uma volta em torno da Terra. Como os dois movimentos têm o mesmo ritmo, ela mantém sempre a mesma face virada para nós.

Faça o teste em casa: ande em círculo ao redor de uma cadeira, sempre olhando para ela. Ao completar a volta, você também girou o corpo uma vez inteira, mas a cadeira só viu o seu rosto o tempo todo. A Lua faz exatamente isso com a Terra.

Esse fenômeno se chama rotação sincronizada, ou travamento de maré.

Quem “travou” a Lua foi a gravidade da Terra

Nem sempre foi assim. Logo depois de se formar, há cerca de 4,5 bilhões de anos, a Lua girava mais rápido. A gravidade da Terra deformou levemente a Lua, criando uma pequena “barriga” voltada para o nosso planeta, parecida com as marés que a Lua causa nos nossos oceanos.

A Terra puxava essa barriga, e esse puxão funcionou como um freio. Ao longo de milhões de anos, a rotação da Lua foi desacelerando até ficar no mesmo ritmo da órbita. A partir daí, a barriga ficou sempre apontada para a Terra, e o giro ficou travado.

Isso é muito comum no Sistema Solar. A maioria das luas grandes está travada com o seu planeta, como as principais luas de Júpiter e Saturno. Plutão e sua lua Caronte vão além: os dois estão travados um com o outro, mostrando sempre a mesma face mútua.

Na verdade, vemos um pouco mais da metade

Se a Lua mostra sempre a mesma face, esperaríamos ver só 50% da superfície dela. Mas, ao longo do tempo, conseguimos ver cerca de 59%.

Isso acontece por causa da libração, um leve “balanço” aparente da Lua visto daqui. Ele tem duas causas principais:

  • A órbita da Lua não é um círculo perfeito, é uma elipse. Por isso, ela anda um pouco mais rápido em alguns trechos e mais devagar em outros, enquanto o giro continua constante. Isso nos deixa espiar um pouco pelas bordas leste e oeste.
  • A órbita da Lua é inclinada cerca de 5 graus em relação à da Terra. Assim, às vezes vemos um pouco mais do polo norte lunar, e às vezes do polo sul.

O “lado escuro” não é escuro

O lado que nunca vemos costuma ser chamado de “lado escuro da Lua”. O nome é enganoso. Esse lado recebe luz do Sol tanto quanto o lado visível. Na fase de Lua nova, por exemplo, quando não vemos a Lua iluminada daqui, o lado oculto está em pleno dia.

O nome correto é lado oculto ou lado afastado. Ele é “escuro” apenas no sentido de desconhecido.

A primeira foto do lado oculto

Por milhares de anos, ninguém sabia como era o outro lado da Lua. Isso mudou em 7 de outubro de 1959, quando a sonda soviética Luna 3 passou por trás da Lua e fotografou o lado oculto pela primeira vez. As imagens eram granuladas, mas cobriam cerca de 70% daquela face.

A surpresa foi que o lado oculto é bem diferente do visível. Ele tem muito menos dos “mares” escuros, as grandes planícies de lava solidificada que formam o rosto que vemos. Em vez disso, é coberto de crateras de todos os tamanhos.

O primeiro pouso do outro lado

Pousar no lado oculto é difícil porque, de lá, não há contato direto por rádio com a Terra. Todos os pousos na Lua, tripulados ou não, aconteceram no lado visível até 3 de janeiro de 2019. Nesse dia, a sonda chinesa Chang’e 4 pousou na cratera Von Kármán, no lado oculto. Para falar com a Terra, ela usou um satélite retransmissor, o Queqiao, posicionado além da Lua.

A Lua está se afastando

O mesmo efeito de maré que travou a Lua continua agindo. As marés dos oceanos da Terra estão, aos pouquinhos, freando a rotação do nosso planeta e empurrando a Lua para longe. Medições feitas com laser, disparado da Terra contra espelhos deixados na Lua pelas missões Apollo, mostram que ela se afasta cerca de 3,8 centímetros por ano.

Como consequência, os dias na Terra ficam muito lentamente mais longos, algo como 2 milésimos de segundo a cada século.

Resumindo

  • A Lua gira em torno de si mesma no mesmo tempo em que dá a volta na Terra, cerca de 27,3 dias.
  • Isso é o travamento de maré, causado pela gravidade da Terra ao longo de milhões de anos.
  • Graças à libração, vemos cerca de 59% da superfície lunar.
  • O lado oculto não é escuro: recebe sol como o resto da Lua. Foi fotografado pela primeira vez em 1959.

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Fontes

Escrito por Redação Mundo Curiozum

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