Três corações e sangue azul: como funciona o corpo de um polvo

Um polvo tem três corações, sangue azul e a maior parte dos neurônios fora da cabeça. Parece invenção de filme de ficção científica, mas cada uma dessas características tem uma explicação, e elas ajudam a entender como esse animal vive.

Para que servem três corações?

Os três corações têm trabalhos diferentes. Dois deles ficam encarregados de levar o sangue até as brânquias, onde ele libera gás carbônico e recebe oxigênio. O terceiro pega esse sangue já oxigenado e o envia para o resto do corpo.

Existe um detalhe curioso: segundo a revista Smithsonian, esse terceiro coração para de bater enquanto o polvo nada. Seria por isso que nadar cansa tanto o animal e que ele costuma preferir rastejar pelo fundo.

Por que o sangue é azul?

Nosso sangue é vermelho por causa da hemoglobina, uma proteína que usa ferro para transportar oxigênio. O polvo usa outra proteína, a hemocianina, que tem cobre no lugar do ferro. Ela não tem cor quando está sem oxigênio e fica azul quando se liga a ele.

Essa diferença parece ajudar na vida em águas muito frias e pobres em oxigênio. O frio traz um problema, porém: o oxigênio pode ficar preso à hemocianina com força demais e demorar a chegar aos tecidos.

Um estudo publicado na revista Frontiers in Zoology, liderado por Michael Oellermann, encontrou uma resposta para isso em um polvo da Antártida, o Pareledone charcoti. Ele tinha, em média, cerca de 40% mais hemocianina no sangue do que duas espécies comparadas de águas quentes. Os próprios pesquisadores não esperavam esse resultado.

O sangue azul também tem um ponto fraco. A Smithsonian conta que os polvos são muito sensíveis a mudanças na acidez da água: se ela aumenta demais, eles podem não conseguir fazer circular oxigênio suficiente para sobreviver. Por isso, a acidificação dos oceanos preocupa os pesquisadores.

Os braços que parecem pensar sozinhos

Cerca de dois terços dos neurônios de um polvo ficam nos braços, e não na cabeça. Na prática, um braço pode abrir uma concha enquanto o resto do animal explora uma caverna em busca de mais comida.

O Aquário da Baía de Monterey, nos Estados Unidos, conta que os pesquisadores consideram os polvos os invertebrados mais inteligentes, talvez comparáveis a um gato doméstico. Eles conseguem resolver problemas, lembrar soluções, passar por labirintos e até brincar. Em um caso registrado, um polvo fez uma espécie de jogo de pegar com uma garrafa boiando na água.

Bem diferente da opinião de Aristóteles, que, por volta de 350 a.C., chamou o polvo de criatura estúpida porque ele se aproximava da mão de uma pessoa dentro da água.

Tinta que faz mais do que esconder

A nuvem de tinta do polvo não serve apenas para despistar. Ela contém uma substância chamada tirosinase, que irrita os olhos do predador e atrapalha o olfato e o paladar dele.

Uma família muito antiga

O fóssil mais antigo conhecido de um parente dos polvos tem cerca de 330 milhões de anos, ou seja, é anterior aos dinossauros. Encontrado em Montana, nos Estados Unidos, e descrito em 2022, ele tinha dez membros, dois a mais que os polvos de hoje.

O sangue azul não é o único colorido

A natureza tem outras cores de sangue. Lagartos da Nova Guiné da família dos escincos têm sangue verde por causa do acúmulo de um pigmento da bile. Já os peixes-gelo da Antártida não têm pigmento nenhum no sangue: uma mutação eliminou a hemoglobina deles, e a água gelada, rica em oxigênio, compensa essa falta.

Fontes

Escrito por Redação Mundo Curiozum

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